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Gazeta Paços de Ferreira

23/05/2026, 10:04 h

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Há momentos em que servir também significa saber mudar de lugar

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OPINIÃO POLÍTICA

Há decisões que não nascem da desistência. Nascem da consciência, da maturidade e da necessidade de recentrar prioridades.

Por Sílvia Azevedo (Presidente MS-ID Paços de Ferreira)

 

A minha decisão de não apresentar recandidatura à estrutura concelhia das Mulheres Socialistas de Paços de Ferreira resulta de uma reflexão serena sobre o caminho que quero continuar a fazer no espaço público e na forma como acredito que posso continuar a contribuir para a sociedade.

 

A política entrou cedo na minha vida. Era ainda estudante universitária quando comecei o meu percurso de participação cívica e política, ligada ao movimento estudantil, ao sindicalismo e às causas sociais. Na altura, com um pensamento mais radical, fui militante do Bloco de Esquerda. Durante muitos anos, vivi a política como espaço de transformação, de debate, de construção coletiva e de defesa das pessoas. E continuo profundamente grata por tudo aquilo que este percurso me permitiu aprender, conhecer e construir.

 

Continuo a acreditar na política. Talvez hoje de forma mais consciente, mais humana e menos ingénua. Acredito na política enquanto ferramenta de mudança social, de criação de oportunidades, de defesa de direitos e de construção de comunidades mais justas e equilibradas. Acredito no serviço público, independentemente da forma que ele possa assumir.

 

Mas acredito também que a política precisa de renovação, de novos olhares, de novas energias e de novas vozes.

 

Há momentos em que liderar também significa saber abrir espaço. Dar oportunidade a outras mulheres, a outras camaradas, que certamente trarão novas ideias, novas formas de estar e novos contributos para a vida política e para o fortalecimento do Partido Socialista.

 

 

 

 

A democracia faz-se também desta capacidade de renovação saudável, de continuidade e de confiança nas gerações que chegam com vontade de participar e construir.

 

A minha decisão não representa um afastamento das causas em que acredito, nem da vontade de continuar a contribuir para a comunidade ou de servir o Partido Socialista. Pelo contrário.

 

Continuarei profundamente comprometida com as pessoas, com a educação, com a intervenção social, com a igualdade e com os valores que sempre orientaram o meu percurso.

 

Porque servir nunca depende apenas do lugar que ocupamos. Depende da forma como escolhemos continuar presentes.

 

 

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