29/01/2026, 0:00 h
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Opinião Partido Socialista Política
Um dos nossos no Parlamento
Por Humberto Brito (Deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista)
Há percursos que se começam a traçar com humildade e alguma timidez, mas que ficam para sempre marcados na memória e no coração. É com profunda emoção e um enorme sentido de gratidão que retomo uma coluna na Gazeta de Paços de Ferreira, espaço onde, literalmente, dei os meus primeiros passos na vida pública e política. Recordo com carinho os artigos escritos à mão, com as convicções ardorosas da juventude, que entregava à incansável D. Margarida. Esse foi o meu primeiro debate de ideias, o meu primeiro serviço à comunidade através da palavra. Por isso, agradeço, em particular, ao Dr. Álvaro Neto o convite para este reencontro. É um sinal de que as portas da nossa casa comum - o jornalismo local de referência - permanecem abertas ao diálogo e ao contributo de todos.
Esse caminho, iniciado nas páginas deste jornal, levou-me hoje a um patamar de responsabilidade maior que encaro com solenidade e determinação: o de deputado na Assembleia da República pelo Partido Socialista. Assumo este mandato com a noção clara do seu peso e da confiança que nele depositam os cidadãos. Tenho a honra de integrar ativamente a Comissão de Infra Estruturas, Mobilidade e Habitação, áreas que considero pilares fundamentais para o desenvolvimento soberano do país e para a melhoria concreta da vida das pessoas. São os alicerces que sustentam a nossa economia, a nossa coesão territorial e o nosso bem-estar coletivo.
É precisamente no domínio da Habitação que concentro uma parte essencial da minha energia e da minha crítica política. A crise que vivemos não é fatalidade; é, em grande medida, consequência de opções. O atual governo da AD, apesar de prometer soluções, parece mais empenhado em desmantelar as medidas de apoio à classe média e às famílias que mais sofrem, do que em apresentar uma estratégia sólida e compassiva. A lentidão, a falta de ambição e o favorecimento de uma lógica puramente mercantilista estão a agravar o problema, adiando o sonho da casa própria para milhares de portugueses, sobretudo jovens. Não me conformarei com esta inércia. Lutarei por políticas públicas robustas que garantam o acesso à habitação como um direito, e não como um privilégio.

Este combate político não me faz esquecer, antes pelo contrário reforça, a minha ligação natural e afetiva a Paços de Ferreira e a toda a região do Tâmega e Sousa. Levo para o hemiciclo as suas prioridades. Prova disso são as questões que já apresentei ao governo, onde destaco o imperativo de garantir a plena operacionalidade e qualidade do Hospital de Penafiel, equipamento vital para a nossa região. Foi com alguma ironia que, esta semana, a Senhora Ministra da Saúde “descobriu” um hospital que sempre existiu e que sempre careceu de atenção. A minha intervenção precedeu essa visita, porque a nossa ação política não pode ser de ocasião; tem de ser permanente, fundamentada e antecedida pelo conhecimento do terreno.
Por fim, e porque todo este percurso só faz sentido se estiver ao serviço das pessoas, reafirmo a minha total disponibilidade para ouvir os concidadãos, as instituições e as forças vivas do nosso concelho e da região. As vossas preocupações são a minha agenda. As portas do meu gabinete, tanto local como em Lisboa, estão abertas. Continuarei a entregar, metaforicamente, os meus “artigos” através do trabalho parlamentar, mas quero que as vossas vozes sejam a tinta com que eles são escritos.
Estou de volta a casa, mas nunca parti verdadeiramente. Hoje, com mais experiência e instrumentos, renovo o compromisso: servir Paços de Ferreira, servir o Tâmega e Sousa, o Distrito do Porto, e servir Portugal, com a mesma dedicação com que, outrora, entregava um texto a D. Margarida. O trabalho continua.
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