11/04/2026, 10:40 h
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OPINIÃO
Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)
O sistema de ensino português já se demonstrava desatualizado há uma década. Com uma revolução tecnológica a avançar a largos passos, as salas de aula continuavam a ser um dos poucos locais onde não havia nenhuma diferença estrutural. As mesas, cadeiras, lugares dos alunos e dos professores, assim como os quadros, permanecem nas salas de aula da mesma forma que estavam durante a sua formação pós-25 de abril. O desinvestimento na educação já era notório, mas agravou-se com os anos de falta de apoio às carreiras na área. E se foi a perseverança dos professores e docentes que permitiu travar as lutas constantes, agora enfrentam o ‘final boss’ na IA, desafio que não estão a vencer.
Alguns professores tentam diferentes ferramentas para combater a dependência dos alunos da IA. Táticas como escrever nos enunciados instruções invisíveis que permitam a sua detecção, pedir referências exatas nos textos ou fazer trabalhos de validação do conteúdo produzido por estas ferramentas já foram implementadas com sucesso. No entanto, essas táticas são apenas pensos rápidos que não alteram o sistema educativo, e os alunos conseguem ultrapassá-las com facilidade. Por essa razão, os professores encontram-se sem solução: não conseguem mudar o sistema de educação em que são forçados a lecionar, nem conseguem impedir o uso da IA pelos alunos.
O ensino tradicional já desapareceu; apenas alguns diretores de escolas e membros do ministério ainda não se aperceberam disso. Caso o sistema de ensino não se adapte rapidamente, corremos o risco de as próximas gerações serem formatadas para recorrer à IA em tudo na sua vida, em vez de pensarem de forma crítica. Se não ocorrer uma mudança célere e drástica, haverá gerações de crianças com menor capacidade de raciocínio e que ficarão dependentes da tecnologia. Tal como Saramago demonstrou no Ensaio sobre a Cegueira, uma sociedade sem a capacidade de pensamento crítico apaga em pouco tempo milénios de evolução. Cabe a todos nós impedir que tal aconteça.
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