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Gazeta Paços de Ferreira

19/01/2024, 0:00 h

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Alfarrabistas e livros com dedicatória e autografados

Cultura Literatura Abílio Travessas

CULTURA

A quem vamos deixar os livros adquiridos ao longo duma vida, alguns com história, de editoras já desaparecidas, comprados pela beleza da capa, como me acontece, pela dedicatória e/ou, pela assinatura?

Por Abílio Travessas (Colunista e Professor aposentado)

CULTURA

 

 

Num dos últimos números do nosso Jornal de Barcelos, o amigo Mário V Lima refere o interessante tema dos livros que aparecem nos alfarrabistas – no Brasil, Sebo – autografados e, por vezes, com dedicatória. A quem vamos deixar os livros adquiridos ao longo duma vida, alguns com história, de editoras já desaparecidas, comprados pela beleza da capa, como me acontece, pela dedicatória e/ou, pela assinatura?

 

 

Em visita a casa de amigo das lides do futebol, da região de Aveiro, figura sui generis de advogado, sem carta de condução, displicente no trajar, corpo anafado escondendo habilidade incomum para o futebol, fiquei de queixo caído perante uma cave plena de livros, revistas e outras publicações, raras - num AnuárioComercial li uma entrada com a mercearia do meu pai, e a do avô da minha mulher, década de 50 -, de colecionador de elevada cultura e de amor aos livros. É exemplo perfeito do ditado O hábito não faz o monge.

 

 

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A crónica do Mário, com considerações judiciosas sobre a memória e o tempo que passa, levou-me a procurar livros com dedicatória e autógrafo, pois ele escreve sobre os livros do nosso Nobel valorizados com aqueles acrescentos. Dele tenho dois livros: Manual de pintura e Caligrafia, antecâmara dos êxitos que se seguirão quando se dedica apenas à escrita, - Levantado do Chão, o primeiro - adquirido na Festa do Avante de 1977, com dedicatória ao camarada da altura; Memorial do Convento, este em apresentação na saudosa Clepsidra, Coimbra, (ainda na companhia da 2ª mulher, Isabel da Nóbrega, escritora também), obra prima da nossa literatura, em que aparece com uma escrita inovadora. Aqui só referindo o local do encontro.

 

 

Dos livros adquiridos nos alfarrabistas tenho alguns com valor: de Carlos de Oliveira, tão esquecido, Alcateia, com dedicatória a José Neves Águas, com a maior simpatia do Carlos de Oliveira. O livro merece que se refira que foi editado pela Coimbra Editora, Limitada/1945; é um romance da colecção Novos Prosadores, Nova Edição. A 1ª edição, de 1944, estava fora do mercado. A capa foi desenhada por Palla; Cerromaior, - Romance de Manuel da Fonseca, da Editorial Inquérito, Lda, de 1943, imprimido nas oficinas da Imprensa Libânio da Silva, Travessa do Fala-Só, 24, Lisboa; Capa de Manuel Ribeiro de Pavia. O livro está assinado por Mª do Espírito Santo, Freixo-Lousã. Por fim: Ondas Médias, por Vitorino Nemésio; numa visita à Bertrand, anos oitenta, encontrei o mestre, comprei o livro e pedi-lhe simples assinatura.

 

 

Refiro ainda Esteiros, de Pereira Gomes, 2ª Edição, Edições “Sírius”- 1942, capa e desenhos de Álvaro Cunhal. Não sendo autografado nem tendo dedicatória, é uma preciosidade.

 


 

 

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