27/09/2026, 0:00 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Miguel Moreira (Presidente da JSD Paços de Ferreira)
Durante décadas, a resposta era óbvia. Éramos a Capital do Móvel com orgulho. Uma marca, uma identidade. Hoje olho à volta e temo que nos estejamos a transformar noutra coisa bem menos digna, num dormitório do Porto.
Com o preço da habitação no Porto a tornar-se incomportável para as famílias, sobretudo mais jovens, muita gente foi procurar casa mais barata a vinte, trinta ou quarenta minutos de distância. Paços de Ferreira recebeu-os e recebe, e fez bem. O problema não é quem chega, é sim o que não chega com eles.
Porque a população cresce, mas as estradas são as mesmas. Constroem-se prédios, abrem-se loteamentos, enchem-se as ruas de carros de manhã e à noite, e continuamos com os mesmos acessos de sempre, novas filas para sair do concelho e para voltar a ele. Isto, caros conterrâneos, é querer construir uma casa pelo telhado.

Mas não falamos só de asfalto. Se cada nova família significa apenas mais uma casa e mais um carro, mas nunca mais uma resposta pública, então não estamos a crescer. Estamos a inchar.
Em junho o Sr. Presidente de Câmara gabava-se da procura pelo concelho, e bem. Contudo ocultou a parte que lhe interessou: a realidade da especulação imobiliária e perda gradual de qualidade de vida fruto da falta de planeamento de longo prazo.
A diferença entre uma cidade e um dormitório é exatamente esta: numa cidade, as pessoas ficam, trabalham, convivem, participam. Num dormitório, chegam exaustas ao fim do dia, dormem e partem de novo. Deixam de ter tempo, de ter rua, de ter comunidade e, aos poucos, deixam de ter qualidade de vida, que era precisamente o que vinham procurar quando trocaram o Porto por aqui.
Não escrevo isto por saudosismo, nem para travar quem quer fazer aqui a sua vida. Escrevo porque acredito que Paços de Ferreira merece mais do que ser a cama arrumada onde o Porto vem descansar.
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