BAZUCA PARA CAXIAS

Eduardo Costa

A bazuca da União Europeia, que pretende dar um impulso ao desenvolvimento do país, juntamente com os fundos do programa Portugal 20/30, é a mais avultada quantia alguns vez recebida por Portugal de fundos comunitários. O discurso de que se trata da “última oportunidade” tem sido uma constante por parte de quem governa. O Presidente da República tem dito que a sua aplicação tem que ser bem acompanhada. Naturalmente, tendo em vista que o dinheiro seja bem aplicado. Quando se diz bem, quer-se acreditar que esta pipa de massa seja investida, de facto, em projetos que alavanquem o país. Que nos aproximem dos objetivos que precisamos para equilibrar as contas. Cronicamente desequilibradas.

O passado persegue-nos. E não temos grande dúvida que vai acontecer o mesmo que nos anteriores programas de apoio comunitário. Parte do dinheiro vai para pagar as despesas do estado. Isto é, não vai para investimentos. Em bom português, é como se um empresário recebesse um subsídio para adquirir uma máquina e o desviasse para pagar a renda da fábrica. E, assim, o valor do subsídio não seria aplicado em nova máquina e, portanto, a produção e o emprego não aumentavam. O futuro da fábrica ficava comprometido.

O caso de Caxias é a confirmação disto mesmo. Se podíamos ter dúvidas, as mesmas foram dissipadas. Com o dinheiro da bazuca pretendia-se pagar as obras de requalificação da célebre prisão para receber imigrantes não documentados. Está tudo dito.

Fomos, somos e seremos um país de oportunidades desperdiçadas. Lamentavelmente.

EDUARDO COSTA, jornalista, diretor da Associação Nacional da Imprensa Regional 

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