02/08/2026, 0:00 h
27
Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP
OPINIÃO POLÍTICA
Por Óscar Leal (Militante do CDS de Paços de Ferreira)
Falo, claro, dos dois episódios que envolveram o ministro da Educação (ME) e o ministro da Administração Interna (MAI). E, apesar da comoção geral, das mesas redondas televisivas e dos especialistas que aparecem sempre com a certeza pronta, eu continuo a achar que o caso do MAI é muito mais grave. Muito mais grave mesmo. Daqueles que, num país normal, já teriam dado direito a demissão com transmissão em direto.
O ME: o reformador que tropeçou no próprio entusiasmo
O caso do ME é quase uma peça de teatro: um ministro entusiasmado com a missão reformista, empurrado pelo primeiro‑ministro, decide avançar com mudanças que afetam 160 mil alunos, milhares de famílias e, por arrasto, um milhão de pessoas que só queriam que o ano letivo acabasse sem dramas. Mas eis que surge a arrogância, a prepotência, a falta de senso e aquela habilidade política digna de alguém que nunca jogou xadrez.
É grave? É. É irritante? Bastante. É crime? Não me parece. É falta de ética ou carácter? Também não. É só… má gestão embrulhada em excesso de confiança.
E, apesar de tudo, não acho que deva sair já. Primeiro, que resolva o que estragou. Depois, logo se vê. Curiosamente, alguns professores dizem que a reforma até é “interessante, necessária e mais justa para os alunos”. Quem diria.

O MAI: aqui, sim, o país normal teria puxado o tapete
O caso do MAI, esse sim, tem outro cheiro. Cheiro a coisa séria. Cheiro a possível crime, a falta de ética, a opacidade, a carácter posto em causa. Aqui não estamos a falar de um ministro que tropeçou — estamos a falar de alguém que pode ter mexido em coisas que não se mexem. E quando isso acontece, num país normal, o ministro não espera pela noite para apresentar a demissão. Vai logo.
Este caso não afeta um grupo específico. Afeta todos os portugueses, quase 11 milhões de pessoas. E, no entanto, vemos uma estranha delicadeza na abordagem política. O PS fala como quem pisa gelo fino. O Presidente da República parece estar a medir cada sílaba com régua e esquadro. E quando há tanto cuidado, tanta hesitação, tanta palavra embrulhada… talvez seja porque a situação é mesmo grave. Daquelas que fazem tremer instituições que deveriam ser intocáveis.
ASSINE A GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA
Opinião
2/08/2026
Opinião
2/08/2026
Opinião
2/08/2026
Opinião
1/08/2026