16/05/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Ricardo Jorge Neto
Nesse final do século XIX, Freamunde ainda era uma aldeia, e apesar de se sentirem os ventos da modernidade e da revolução industrial, Freamunde ainda era muito rural, contrastando com a actual realidade, uma cidade que acabou de completar 25 anos de estatuto citadino, apesar de ter conservado muito bem o seu rosto de vila.
O correspondente freamundense escreveu que um jovem chamado José Beirão trabalhava na lavoura, e que o seu olhar foi incapaz de não fitar a filha do seu patrão, um abastado lavrador chamado João da Cortinha, o que me leva a pensar que toda esta história se terá desenrolado no lugar do Cortinhal em Freamunde.
Um cortinhal é um terreno agrícola dividido em várias cortinhas, sendo a cortinha uma courela lavradia mais comprida que larga. Mas ainda mais comprida e larga que uma cortinha foi o amor que José Beirão nutria pela filha do senhor João Cortinha, e para sua felicidade a menina correspondia-lhe, e assim foi impossível parar este amor na lavoura. Infelizmente, quem não gostou de saber deste assolapado e inflamado amor, foi João da Cortinha. Ele não poderia aceitar que a sua filha namorasse um humilde trabalhador seu, e assim, como em 1892, o código de trabalho era uma espécie pacote laboral da ministra do trabalho Rosário Palma Ramalho, ou seja, o empregador poderia despedir sem justa causa, e sem direito a indemnização, João da Cortinha despediu o pobre rapaz, que cometera o ‘crime’ de se apaixonar pela sua filha.

Mas como em todas as histórias de amor, Omnia vincit Amor, ou seja, o amor vence tudo, e assim João Beirão às escondidas foi procurando e namorando o seu grande amor, e a chama da paixão foi se transformando em labaredas, e o risco nos encontros foi aumentando, até que um dia… João da Cortinha apanhou José numa das tentativas de namoriscar a sua filha! Ao vê-lo ficou em cólera e ameaçou-o de morte, caso ele voltasse a importunar a sua filha.
Atormentado, e percebendo que nunca mais veria a sua amada, correu para um poço, e precipitou-se nele. A rapariga ao vê-lo a correr para o poço, correu em seu auxílio, e também se atirou ao poço, seguindo para morte, assim como Julieta fizera com Romeu. Quando retiraram os dois jovens falecidos do poço, os seus corpos estavam abraçados…
A história ter-se-á perdido no tempo, mas felizmente, num tempo em que ódio reina, aqueles pequenos parágrafos que encontrei, possibilitaram-me trazer à vida a maior história de amor desta região! Por isso, neste mês Maio cuidem bem do coração, fisicamente, emocionalmente e socialmente, porque só assim o amor vencerá!
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