30/05/2026, 11:22 h
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OS NOSSOS NO PARLAMENTO
Por Humberto Brito (Deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista)
Chegou ao fim o passeio municipal sénior da Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Não foi um dia. Foram muitos dias. Foram meses de partidas de madrugada, de grupos que se formaram com a alegria de quem parte em aventura, de rostos que nunca tinham entrado num avião, que nunca tinham visto Lisboa, que nunca tinham imaginado um dia estar no Parlamento da República. E vieram. Vieram com a curiosidade intacta de quem ainda tem muito para viver e com a dignidade serena de quem já deu muito. Ver isso acontecer - repetido, vezes sem conta, ao longo de meses - será certamente uma das coisas mais bonitas e mais verdadeiras que a vida ofereceu.
Paços de Ferreira honra os que a ajudaram a construir. Tijolo a tijolo, geração a geração, sacrifício a sacrifício. Tantas vezes silencioso. E Paços de Ferreira não esquece quem a construiu. Por isso existe saúde com consultas para todos. Por isso as crianças comem na escola sem que nenhuma família precise de se preocupar. Por isso há berçários e creches. Por isso se investe nas pessoas como nunca antes se investiu. Não é política - é gratidão. É justiça. É uma comunidade que olha para os seus, dos mais novos aos mais velhos, e diz com clareza: estamos aqui. Ninguém fica para trás. Todos contam.

Um bem-haja às funcionárias da câmara municipal que organizaram, acompanharam e cuidaram, mês após mês, com dedicação e com carinho genuíno as viagens. E um abraço especial à Isabel Martins e à equipa do PS no Parlamento, que receberam os nossos seniores como se fossem família - porque no fundo é exatamente isso que somos. Paulo Ferreira, amigo presidente, obrigado - só tu sabes o que este projeto significou para cada uma destas pessoas.
Fui presidente desta câmara durante doze anos. Conheço estas pessoas. Sei o que custou a cada uma chegar até aqui. Por isso, quando as vi entrar no Parlamento da República — a casa de todos os portugueses — senti que havia uma justiça profunda e silenciosa naquele momento. O país a reconhecer, finalmente, quem o construiu. A todos os que vieram, um obrigado que nenhuma palavra chega para contar. Ficaram no Parlamento. Ficaram em mim. Para sempre. Por todo o sempre.
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