UM VERÃO QUENTE

OPINIÃO POLÍTICA

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Fim de ciclo – Na sequência de outros expressivos prenúncios, a proposta de nomeação do desgraçadamente ubíquo Francisco Assis para o Conselho Económico e Social, proposta em co-paternidade com Rui Rio, demonstra que o PS entrou na fase de mitigação das suas propostas progressistas. E que o “governo das marianas” em cada curva ou cruzamento, terá como intuição ou referencial VIRAR À DIREITA. Começou pela Regionalização, espraiou-se pela Política Externa (feudo do pior e vulgar situacionismo acrítico), navega sem princípios no Novo Banco, na TAP e desagua na completa indiferença pelo destino dos trabalhadores e seus interesses, através do Orçamento Suplementar. Resistir, denunciar e votar CONTRA, é a única posição possível.

Um caso de polícia? – É verdadeiramente impressionante a atual sintonia existente entre Rio, Costa e Marcelo. Rio achou ser desnecessária a reunião quinzenal da DGS, com governo, responsáveis políticos e especialistas, sobre a pandemia. Costa, solicito, aceitou como definitiva tal posição. Marcelo abençoou tal propósito. E pronto. Há indícios que há um governo novo, que

terá sido empossado sem conhecimento público, à socapa. Com Marcelo, Rio e Costa. E quem mais?

O contraponto – A recente decisão de um Tribunal que iliba Miguel Macedo, ex. Ministro do PSD, de fraude com os Visto Gold pré-anuncia uma decisão equivalente relativa a governante PS. E quem está “à bica”? Nada mais, nada menos, …José Sócrates, o ex-primeiro ministro! Não acreditam? Veremos… O arrastar do processo, o silêncio sobre o essencial dos advogados de defesa, mesclado com uma atitude de uma sobranceria desrespeitosa para a Justiça e seus agentes, cria uma expectativa pouco recomendável para a busca da Verdade e a punição do Crime. Tenho para mim que os territórios mais pantanosos da política do Bloco Central, associados ou influenciados pelas conhecidas corporações secretas do Poder, há muito trabalham na sua absolvição.

A entreajuda – Esta ideia consensualizada entre o PS e o PSD de reduzir a frequência da presença do Primeiro Ministro na Assembleia da República para responder a perguntas e críticas parlamentares constitui um ato cínico de quem se diz desejar a transparência na vida política. Rui Rio e António Costa sabem poder contar com a tolerância distraída do Presidente da República e com a distracção benevolente da grande Comunicação Social. E mais episódios deste conúbio se preparam.

O sono letárgico acabou? – O Presidente Marcelo advogou agora uma necessária reindustrialização da Europa, e por consequência do País. E deu como exemplo dessa necessidade com a incapacidade demonstrada da mesma Europa em fabricar máscaras de proteção na crise sanitária. O Presidente acordou!

Andavam alguns (sempre os mesmos!) há anos a dizer que era necessário combater a desindustrialização do País, que era necessário manter atividades industriais essenciais, que permitissem reduzir importações e assegurar emprego qualificado, e o Presidente (e muitos outros) dormia, dormia …

Andavam alguns (sempre os mesmos) há anos a denunciar um desenvolvimento económico baseado em serviços e no turismo, e só em atividades financeiras, a globalização da circulação de capitais, o encerramento de fábricas, a extinção de sectores como a construção naval, a metalomecânica pesada, a emigração de quadros técnicos qualificados, e o Presidente (tal como muitos outros políticos) dormia, dormia…

Agora que a mecha chegou ao rabo, o Presidente, entre dois banhos de mar e outros dois de demagogia, lembrou-se que talvez, talvez! não fosse má ideia propor políticas industriais de produção nacional. Eureka! Tarde, mas enfim, mais vale tarde do que nunca… Bem-haja, senhor Presidente! Mantenha-se acordado!

O milagre- Em plena sessão da Assembleia Municipal de Paredes, assistiu-se a um milagre. Um partido político representado entrou em um processo de cissiparidade, de divisão biológica. O PSD apareceu multiplicado por quatro: um PSD vota contra em pontos da ordem de trabalhos em que o PSD representado no executivo vota a favor. Ao mesmo tempo, José Borges, o presidente da JF de Louredo, eleito pelo PSD, em trânsito para o PS, vota a favor e 2 ou três presidentes de junta de freguesia do PSD são acometidos de súbita urgência fisiológica em determinados momentos de votações importantes, ausentando-se do local. Como pedagogia democrática é do melhor. O eleitor do PSD está sempre representado na sua opinião. No sim, no não, no talvez e até no … maldita bexiga!

Cristiano Ribeiro, dirigente do PCP.

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