O ano de 2021 inicia com um momento político importante para o país e para os seus cidadãos – as eleições presidenciais.

Em tempos tão atípicos, todo o processo em que a campanha eleitoral decorreu, sofreu bastantes alterações cuja pandemia assim ditou. O que não poderia ter sofrido qualquer alteração era a consciência de cada cidadão relativa ao seu dever de votar. Uma democracia exige responsabilidade por todos os direitos cuja conquista uniram os esforços de muitos. Uma democracia não pode nem deve permitir que os números da abstenção tenham sido tão significativos e que incitaram o crescimento de forças políticas extremistas.

Estamos perante uma batalha de um inimigo invisível. Luta-se em todas as frentes e não se baixam armas. Os nossos responsáveis governamentais têm sido audazes nesta gestão da COVID-19 e têm estado à altura de uma resposta eficiente. Poderá não se revelar uma resposta suficiente pela complexidade e pela imprevisibilidade desta pandemia, que ora abranda, ou dispara num ritmo incontrolável, mas é a resposta de quem democraticamente foi eleito para defender o seu país e o seu povo e que em muito devemos enaltecer.

Parece-nos demasiada leviana a forma como se lançam várias críticas ao que é feito, ao que não é feito e poderia ser e a todo e qualquer pormenor que pode não agradar cada um de nós. É característico da democracia, a liberdade de expressão e opinião conquistada em abril de 1974, o que não é próprio nem tolerável é a forma subtil como apenas se aponta o dedo com críticas e não se coopera no encontro das soluções e no respeito pelo caminho definido para este combate.

24 de janeiro traduz esta leviandade quando se apuram os resultados de uma votação que, onde mais do que uma notória abstenção, assistimos a uma afirmação desmesurada da extrema direita. Neste ato eleitoral, o país não saiu a ganhar e precisamos de assumir esta consciência. O país e os portugueses consideraram que a revolta do seu desagrado se poderia rever ao ignorarem o papel de cidadãos eleitores.

A COVID-19 não pode ser o motivo para este desinteresse visível e para que, na leviandade referida anteriormente, se afirme quem quer destruir o Sistema Nacional de Saúde, o Ensino Público e que vinca uma personalidade racista, machista e homofóbica. 

Permitir esta afirmação é negar as lutas que fizeram de Portugal o país que é hoje. Permitir esta afirmação é corroborar a ideia de uma sociedade coesa, justa e igualitária e isto não deveria ser motivo de orgulho para quem se absteve e considerou ter a atitude mais altruísta de sempre.

O nosso distrito foi um exemplo de que há valores imensuráveis, pelos quais devemos reger a nossa atitude e sobre os quais somos responsáveis: na sua afirmação, na sua proliferação, na sua vitória.

A nossa determinação enquanto jovens fará com que não desistamos de mostrar ao outro, que a nossa atitude enquanto cidadãos é muito mais do que uma causa política. A mudança continuará em 2021. É uma causa de todos por um amanhã melhor.

Tânia Magalhães

Presidente da Juventude Socialista de Paços de Ferreira

Assine e divulgue Gazeta de Paços de Ferreira

Assinatura anual 20,00

Com acesso gratuito à  edição electrónica

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here