Não sei desde quando os homens começaram a ordenar homens, escalonando-os, colocando uns na base e outros no pedestal. Não estou a imaginar os nossos remotos ancestrais, caçadores por necessidade de sobrevivência, a decidirem que quem participava nas caçadas eram os que detinham determinadas caraterísticas, excluindo os demais. Agiam em grupo, movidos por um sólido espírito colaborativo, pois, de outra forma, todos sairiam a perder.

Mas os tempos avançaram, embora nem sempre no melhor sentido, e uns quantos vaidosos petulantes entenderam destacar-se dos seus pares, atribuindo-se um estatuto especial, superiorizando-se. Houve lutas de morte pelos lugares de topo, pelo domínio do grupo e dos privilégios. A sede de poder sobrepôs-se às necessidades das pessoas, abandonando-se rapidamente as antigas caçadas comunitárias. Das lutas no interior do grupo passou-se às lutas contra os outros grupos, impondo-se o mais forte. Acabara de se inventar a guerra. Depois, com dirigentes no topo bem seguros, guardados pelas suas tropas, foi muito fácil enviar os súbditos para as batalhas como carne para canhão.

Rankings: escalonamento teoricamente justo, mas em que há os que iniciam a disputa com as melhores armas e os que não dispõem senão das próprias mãos. Quem vai a pé forçosamente há de demorar mais tempo a chegar ao destino do que os que utilizam um transporte motorizado de última geração. Não tem nada que saber. Mas os que defendem o status quo dos mais favorecidos vão chamar meritocracia a esta desigualdade de oportunidades, não por convicção, mas para justificarem a sua posição.

Badala-se, agora, que há quarenta e sete colégios nas primeiras cinquenta escolas do ranking nacional dos exames de 12º ano. Tiveram mais sucesso que as escolas públicas, dirão os apologistas do ensino privado. Cada qual diz o que quer, como bem se sabe. Eles, como nós, todos sabemos bem que numa corrida de qualquer distância se os adversários arrancam apenas quando nós já fizemos metade do percurso, só perderemos se adormecermos, ou nem assim. É uma mentira dizer que merecemos a vitória só porque cortámos a meta antes dos outros.

Rankings? Sim, mas para avaliarmos quem nos governa e para corrermos com os que pretendem seriar-nos, colocando-nos num patamar inferior. Acredito que todos temos valor.

Joaquim António Leal

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