Debate-se por estes dias a dificuldade de escolher um candidato entre os sete disponíveis para serem presidentes da república, como se na realidade existissem sete opções.

Há sete nomes, é certo, no entanto o leque pode ser facilmente reduzido. Senão vejamos.

Dos sete, dois estão à direita (Marcelo e Mayan) e três à esquerda (Ana, Marisa e João), sendo muito fácil a escolha entre os dois grupos.

Quem pretende que se mantenha o status quo dos banqueiros e dos donos dos hospitais privados, para que ambos se empanturrem com os dinheiros do Estado, vota nos primeiros; os outros, os que desejam um presidente que defenda os mais frágeis, os que detêm menor poder, exigindo maior equilíbrio na distribuição da riqueza, votam nos segundos.

Sabe-se que Mayan é um menino da Foz que anseia eternizar o poder duma aristocracia caduca; e que Marcelo sonha com o dia em que a direita regresse à governação.

Quanto aos três candidatos da esquerda democrática, qualquer um deles representa uma ameaça muito séria para os corruptos, para os inimigos do serviço nacional de saúde, para os promotores das injustiças sociais.

Faltam dois, dir-me-ão, julgando que me esqueci.

Todavia, o que acontece é que não os considero candidatos a valer: o Tino é bom rapaz, gosto de o ouvir, mas não vai mais longe a minha admiração; o Ventura é uma carta fora do baralho com que se não deve jogar.

Votar neste pantomineiro é optar pelo regresso à Idade Média, às trevas, às perseguições de bruxas inventadas e de gente que pense diferente, pretexto para queimar todos os indesejados numa imensa fogueira acesa na praça pública, ao mesmo tempo que satisfazem a sede de sangue alheio por parte de multidões acéfalas. E isto para não falar do retorno dos extremos – servos e senhores – com os primeiros a curvarem-se perante os segundos, entregando-lhes a retaguarda e o pescoço. Um retrocesso civilizacional incomensurável, com os direitos humanos atirados para o caixote do lixo, como entulho.

As evidências são claras para quem não deixar que a poeira lhe afete a visão, surgem escarrapachadas nas páginas dos jornais e nas reportagens televisivas, contudo, prevê-se que o ardiloso monstro arraste consigo muitos indivíduos para as urnas.

É minha convicção que, à exceção de algumas dúzias de lúgubres figuras que mexem cordelinhos permanecendo na sombra, os seguidores do Coiso o fazem por desconhecimento puro dos perigos que ele representa.

A estes, e só a estes, perdoai-lhes Senhor, porque não sabem o que fazem!

Joaquim António Leal

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