O País Que Não Temos

OPINIÃO POLÍTICA- Cristiano Ribeiro

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Um país. De 92.000 km2, com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Concentrados numa faixa litoral de pouco mais de 30 km de largura, desertificado no interior e no norte e leste fronteiriço com a Espanha. Um país de emigrantes e de imigrantes. Onde muitos dos que emigram dizem o fazer por “aventura” e com essa mentira iludem a verdade, a satisfação das necessidades básicas. Onde muitos dos que imigram dizem o fazer pelo sol e pela hospitalidade e com essa mentira iludem a mesma verdade.

O país. Apesar de uma reconhecida civilidade adulta (bem, afinal somos europeus!), não temos um civismo dedicado. Calados somos eloquentes. Submissos somos inteligentes. Não temos uma nova geração com valores, altruísmo, empenho coletivo. Não temos causas nacionais mobilizadoras, grandes referências morais atuais. Não temos escolas suficientemente disponíveis ou apetrechadas para ensinar, deixando às famílias o supremo e insubstituível encargo de educar. Não temos uma burguesia ou classe média, que mais do que a sagrada propriedade, defenda o património, ou a memória. Não temos empresários, temos patrões. Não temos empresas, temos linhas de produção. Temos demasiados consumidores e beneficiários para poucos utilizadores e produtores. Gerimos a vida no curto prazo. O médio prazo é lá longe. O longo prazo não há. Um pais em que muitos bons convivem com os mais medíocres, sendo estes muitas vezes os que mandam, os que têm prestígio social. Não somos racistas, somos preconceituosos.

Respeitamos os DR.s, oh como respeitamos os DR.s, que não são os dr.s normais. Bajulamos na vertical enquanto alguns se promovem profissionalmente na horizontal. Dizemos sim querendo dizer não, dizemos não quando tememos dizer nunca.

Somos um país assim. Como os outros.

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