Não sou nem um pouquinho fã de Rui Rio, o que não implica que discorde dele em tudo. Aliás, há ideias que são tão do senso comum que só os alienados da realidade as rejeitam, ou porque são loucos, ou porque pretendem afirmar-se com o reverso da inteligência mais elementar. Refiro-me à obrigatoriedade de os deputados ou governantes que integram uma sociedade secreta declararem o facto, de forma a aumentar a transparência dos seus mandatos e das suas decisões.

Num passado remoto, algures na Época Medieval, criou-se uma sociedade secreta de “maçons” (pedreiros, em tradução literal) para que os artífices acautelassem os seus interesses perante a tentativa de exploração por parte dos senhores feudais. Mais tarde, nos tempos da Maria Carqueja, constituiu-se um outro grupo obscuro, este de índole católica, para defender determinados valores, nem sempre próprios de bons cristãos.

Passaram os anos e cada um dos grupos apurou o engenho, no sentido de permitir aos seus membros lucrarem com a pertença, e isso passava por rituais secretos obscuros, como juramentos de sangue, obediência cega às cúpulas e apoio incondicional aos seus pares.

Escusado será dizer que, movendo-se nas trevas da razoabilidade, membros da maçonaria e da opus dei passaram a disputar o exercício do poder, dominando a alta finança, as grandes empresas e os governos. Esta é uma realidade que se vive atualmente em Portugal (e em grande parte do mundo), desconhecendo-se, frequentemente, as motivações de políticos afetos a estas forças, quando tomam certas decisões.

Não entendo muitas coisas, mas não deixo de me inquietar com as injeções contínuas de dinheiro em bancos falidos, deixando-se o SNS órfão de pai e mãe; com a entrega da redação de leis a determinados consultórios de advogados, abdicando-se do conhecimento de tantos juristas da Assembleia da República; com a brutal evidência da isenção de impostos a grandes grupos económicos, enquanto os pequenos empresários e os trabalhadores pagam com língua de palmo. E isto para não falar de quem trabalhou durante quarenta anos e é penalizado se pretende aceder à reforma.

Chamam-me utópico, quando afirmo que a sociedade podia ser mais justa, mais equitativa, bastando que o poder se exercesse de forma transparente e sem corrupção. Não entendem que o problema está nos distópicos, nas sociedades secretas e obscuras, que impedem que o sol se distribua a todos por igual.

Joaquim António Leal

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