Grassa nas mentes inquietas a ideia de que há racismo em Portugal, o que, a bem da verdade, é um atentado à generosidade e tolerância do povo português. Sim. Se há povo não racista no mundo, é aquele que habita neste retângulo à beira mar. Daqui partiram as naus para os cinco continentes, onde colonizou negros, amarelos e alguns quase azuis, não tendo nunca recusado um único ser em virtude da cor da pele. Pelo contrário, abriu-lhes os braços e aceitou-lhes os sacrifícios por igual.

Como se poderia falar, nos dias de hoje, de multiculturalidade e de miscigenação sem os grandiosos empreendimentos portugueses? Coube a este povo um importante papel na transferência, em grande escala, de negros de terras de África para outras latitudes, nomeadamente para o Brasil. De outra forma, aí não encontraríamos o belíssimo colorido das peles de homens e mulheres, que tanto apreciamos, mas apenas a tez vermelha dos naturais e os branquelas europeus.

Qual racismo! Esse conceito só existe porque há quem entenda que a humanidade é composta por várias raças, como se o arco-íris não fosse um só. O que existe é a raça humana, e nada mais. É certo que há os brancos, os negros, os amarelos e sei lá que mais, sendo que os primeiros se têm superiorizado aos demais ao longo dos últimos séculos. E que tem isso de anormal? Não há na selva iguais discrepâncias? Não é o leão o rei dos animais? Nas falecidas terras de Além-Mar, ao contrário do leão, não usavam os portugueses, diretamente, as carnes dos súbditos para confecionar refeições. Os capatazes das fazendas usavam o chicote para castigar? Isso mais não era do que uma prova de amor, o tratamento dum pai a educar o filho como devia ser, pois, como se costuma dizer em certos meios, quem dá o pão também dá o pau.

No outro dia, alguém que conheço há demasiado tempo dizia-me, a justificar que em Portugal se trata todas as cores por igual: “eu tanto aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto”. Com isto, pretendendo apenas enfatizar que não lhe repugnava tocar em nenhuma pele, independentemente da cor (acredite quem quiser). Venha, por isso, a discussão pública sobre o racismo para, de uma vez por todas, se erradicar essa maldita e conflituosa palavra do dicionário. Haverá um único branco racista em Portugal? Aposto que não.

Joaquim António Leal

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