24/05/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Carlos Dias (Licenciado em Ciências Sociais e Politicas e Pós graduado em Gestão Autárquica e Modernização)
Esta tendência está a transformar Paços de Ferreira numa região periférica e dormitório, sem uma estratégia sólida de desenvolvimento económico e turístico que valorize o território e a sua identidade.
O problema não está no crescimento populacional, esse pode até representar uma oportunidade, mas sim na ausência de visão política para criar condições que fixem pessoas, investimento e dinamismo económico no próprio concelho. Hoje, muitos negócios locais sobrevivem apenas do consumo básico da população residente, sem capacidade para crescer ou atrair novos públicos.
Paços de Ferreira tem potencial para muito mais. Tem história, tradição industrial, gastronomia, património rural e uma forte identidade ligada ao mobiliário e ao empreendedorismo. No entanto, falta uma aposta clara na promoção turística e na criação de experiências capazes de atrair visitantes nacionais e estrangeiros. Enquanto outros concelhos próximos investem em eventos culturais, rotas gastronómicas, turismo de natureza e valorização do património, Paços de Ferreira continua sem uma marca turística forte e reconhecida.

Atrair turismo não significa apenas trazer visitantes por um dia. Significa criar movimento no comércio local, gerar emprego, incentivar a restauração, revitalizar o centro urbano e aumentar a procura por serviços. A presença de estrangeiros e visitantes traz novas dinâmicas económicas, maior diversidade cultural e oportunidades para pequenos empresários. Sem essa visão, o concelho arrisca-se a depender exclusivamente da função habitacional, tornando-se cada vez mais subordinado ao crescimento da Área Metropolitana do Porto, sem identidade económica própria.
É urgente pensar o desenvolvimento de Paços de Ferreira de forma estratégica e ambiciosa. O concelho não pode limitar-se a construir habitação e infraestruturas básicas. Precisa de projetos que valorizem o território, promovam o turismo, apoiem o comércio tradicional e criem motivos para que as pessoas escolham visitar, e permanecer, em Paços de Ferreira.
O futuro do concelho depende da capacidade política de olhar além do imediato. Sem investimento na identidade local, na cultura e no turismo, Paços de Ferreira corre o risco de perder aquilo que o distingue e transformar-se apenas numa extensão residencial do Porto.
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