Hoje vou-me centrar novamente numa temática que já abordei algumas vezes, ainda que pele “rama”.

Estamos em pleno século XXI. Correndo páginas virtuais, vemos desabafos ou “muros de lamentações” de pais, professores, alunos, comunidade em geral, relativamente ao ensino. Enquanto profissional também vou tendo acesso a documentação específica e o que mais ouço e/ou leio são opiniões sistemáticas de que os alunos não têm objetivos, não estudam, não têm interesse pela escola. Depois vejo e leio opiniões controversas, tais como: os alunos passam demasiado tempo na escola, precisam de ter tempo de ser crianças/jovens e, quase em paralelo, os alunos não estudam, os pais não acompanham a vida escolar dos filhos…

Mas, que raio, penso eu: afinal que queremos nós? Que saiam da escola, onde passam demasiado tempo e vão ser crianças/jovens ou que ainda se vão ocupar com mais e mais horas de estudo?

Já abordei esta questão noutras alturas. Na minha opinião, os miúdos passam demasiadas horas na escola. Quando esta acaba, precisam de tempo para desenvolver outras competências: desportivas, artísticas, cívicas…tantas que são igualmente importantes para o desenvolvimento integral do indivíduo! Tempo para ser e fazer o que querem, gostam, precisam…

Mas, para poderem usufruir do tempo pós-escolar para o que bem entenderem, é urgente que se mude o paradigma da escola. É urgente que a escola não se prolongue indefinidamente para lá do horário escolar com tarefas avulso, muitas vezes sem qualquer ganho pedagógico que não seja mostrar trabalho, ou fazer o que não se fez em tempo escolar.

É ainda urgente que se rentabilize o tempo escolar: o que se faz, como e para quê. É urgente repensar a escola! É imprescindível que a escola saia cada vez mais das paredes e dos portões do edifício! É essencial que se saia da tradicional disposição de sala de aula, do cumprimento de horário letivo sentado em cadeira e a escrever num caderno ou livro, que é necessário encher/preencher, depois de se ver uns Powerpoints, que viraram a inovação tecnológica dos últimos anos.

Sabemos que os miúdos são cada vez mais ativos, transbordam energia, são cada vez mais perspicazes. Porque será que na escola são cada vez mais as queixas de desinteresse, desmotivação, falta de objetivos por parte dos alunos?

Na minha opinião é necessário reinventar a escola. É importante dar um sentido às aprendizagens, desenvolve-las em contexto, aproveitar o meio que nos rodeia.

Confesso: estou um pouco cansada do ensino tradicional. Estou cansada de ver trabalhar um currículo por partes, fazendo manuais escolares, páginas e páginas, dando horas de português e de matemática, de estudo do meio e de expressões…Ainda agora se vai vendo o desespero em fazer os manuais escolares à pressão porque uma parte do tempo letivo este ano foi passado na modalidade de ensino à distância e parece que o importante é fazer as páginas todas como se disso dependesse o programa estar dado.

Realmente, o professor até pode dar, mas se o aluno não aprende…de que vale?

A minha opinião é que devemos minimizar os problemas de aprendizagem e potenciar a motivação dos alunos. Para tal, teremos que repensar a escola e as metodologias. Para estes alunos do Séc. XXI não serve o modelo tradicional de ouvir, copiar e decorar.

Os professores (apesar de por vezes parecer que não) possuem uma autonomia pedagógica enorme. Podem e devem reorganizar o currículo recorrendo às artes, ao meio, à comunidade… “sair da caixa”!

Como gostava que arriscássemos e tentássemos criar metodologias próprias e colaborativas, dinâmicas e verdadeiramente eficazes, mais que não fosse em cada turma, escola, agrupamento…quiçá, concelho. Fica lançado o desafio. Acredito que todos, comunidade educativa em geral, teríamos a ganhar.

Rosário Rocha, AE de Frazão

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