Adoro viver em Paços de Ferreira e, por isso, não tenho por hábito criticar aquilo que de menos bom se faz, por vezes, por aqui. Contudo, motivado por uma publicação na página da Câmara Municipal, no passado dia 6 de junho, hoje abro uma exceção. Dizia o seguinte:

«“É bom viver em Paços de Ferreira, uma terra de oportunidades”, este é o mote da campanha que preparamos para atrair população para viver e investir no nosso concelho.

A mesma decorrerá nos meios digitais e em outdoors na Área Metropolitana do Porto e pretende ser uma alavanca na retoma da economia local (…)».

Aparentemente, nada de errado existe com esta iniciativa, parecendo que o executivo pacense se limita a promover o bom nome da terra, valorizando-o a um nível global. E assim seria, não fosse o facto de se gastarem recursos autárquicos com o objetivo de atrair novos residentes para o concelho, acenando-lhes com a garantia de que vale a pena abandonar a metrópole portuense e fixar-se numa nova periferia. Virão (?) em debandada à procura de locais mais baratos para morar, todavia, como manterão os seus empregos no grande Porto, fixar-se-ão nestas paragens apenas para dormir, transformando Paços de Ferreira não numa cidade residencial, mas num novo dormitório da metrópole portuense, com todas as nefastas consequências que se conhecem.

Palpita-me que os especuladores imobiliários já rejubilam, antecipando aumentos desmedidos dos terrenos e das casas, especialmente no centro da cidade. Porventura os incautos proprietários de algum terreno acalentarão esperanças na possibilidade de realizar uma pequena fortuna com a sua venda. Mas desiludam-se. As grandes firmas tomarão conta de tudo e tanto os pobres como os menos ricos acabarão sendo chutados para canto.

Confesso que fui um entusiasta deste executivo e do seu programa. Elogiei-lhes o empenho, as ações e os resultados obtidos. Mas não contem comigo para apoiar uma solução que vai descaraterizar Paços de Ferreira, degradando as condições de vida da população, aumentando a insegurança. Ainda há tempo para emendar o passo, senhores autarcas!

Joaquim António Leal

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