Anualmente, no dia 3 de dezembro, comemora-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. A atribuição desta data tem como principal objetivo mobilizar para a compreensão dos assuntos relacionados com a deficiência em diferentes vertentes, visando essencialmente a promoção da inclusão destas pessoas na sociedade.

Também é uma preocupação da nossa escola, como certamente de todas, a inclusão dos nossos alunos com necessidades educativas especiais. Mas, sabendo que a inclusão se faz no dia-a-dia, em conjunto com todos os elementos da comunidade, seja escolar, seja geral, continua a ser importante comemorar-se esta data e é isso que fazemos no nosso Agrupamento ao integrá-la no Plano Anual de Atividades. Tal como referi, nunca poderá ser um momento isolado em que se alerta para a diferença, é um ato contínuo que deverá fazer parte da ação educativa.

Nunca se falou tanto em inclusão ou escola inclusiva como agora. A legislação tem reforçado a necessidade de se investir na inclusão das crianças com necessidades educativas especiais. Mas o que pretende, então, a legislação? Pretende, e bem, que as crianças possam usufruir de medidas de apoio especializado em contexto escolar, ou seja, integradas nas suas turmas e com os seus pares. Pretende, acima de tudo, eliminar a segregação que durante anos se foi verificando ao “atirar” estas crianças para gabinetes ou salas mais ou menos isoladas onde o rótulo de aluno NEE tinha uma carga demasiado pesada.

 Pretende, e bem, que as crianças possam usufruir de medidas de apoio especializado em contexto escolar,

Ainda haverá muito caminho a ser trilhado. Continua a ser necessário preparar a integração destas crianças na sociedade e preparar esta para as receber. Acima de tudo, é necessário eliminar o estigma, o rótulo de “deficiente” e substituí-lo por “diferente”. Mas afinal, não somos todos nós diferentes? Não somos cada um de nós seres específicos, individuais, cada um com um grau de funcionalidade menos desenvolvido numa ou outra área?

Confesso que esta temática me tem ocupado o pensamento nos últimos tempos enquanto agente educativo. Tenho uma opinião bastante pessoal, mas que é uma preocupação: estaremos a ir no caminho certo? Estaremos a conseguir atenuar as necessidades educativas destes alunos, desenvolvendo as suas fragilidades, mobilizando recursos para a superação, ou estaremos a minimizar cada vez mais as suas potencialidades, simplificando, adaptando, reduzindo as metas onde poderão chegar?

Muito teremos que trabalhar a sociedade e vamos tentando fazê-lo através dos nossos alunos e, por isso, nas nossas práticas educativas procuramos incutir o respeito pela diferença de um modo geral, até porque todos somos, de facto, diferentes.

Para finalizar, deixo aqui um excerto de um texto de uma aluna minha, a Leonor Carneiro, de 9 anos que, no fundo, descobre o segredo, qual a necessidade de todos e de cada um de nós… No dia 3 de Dezembro, em Portugal celebra-se o dia da ‘’Pessoa com Deficiência’’. Para celebrarmos este dia visualizámos um filme ‘’Um abraço’’, que nos mostrou que as pessoas às vezes afastam-se dos outros que são diferentes, mas que todos nós precisámos de ser amados. “

Amar cada ser diferente é respeitar essa diferença, mas nunca minimizar as suas capacidades e potencialidades. É adaptar, criar meios, para que consigam o sucesso.

Partilho também um desenho da Lara Coelho, que representa a necessidade de adaptar e que nem todos precisamos do mesmo.

Rosário Rocha, professora do AE Frazão

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