Como se não bastasse o ano de 2020 ser bastante atípico, dada a pandemia que assola os nossos dias, chegamos à conclusão que tão urgente como prevenirmo-nos contra o vírus é reforçar o sentido do que é a democracia.

A democracia, parafraseando a Vice-Presidente Eleita dos Estados Unidos da América, Kamala Harris, “não é um estado, é um ato” e, dada a crescente (e preocupante) onda populista que temos vindo a assistir nos últimos tempos, vem-nos a recordar da dura luta que é garantir que ela aconteça, independentemente da nossa frente política.

Seria expectável que Trump não aceitasse a derrota, mas seria expectável, enquanto Presidente dos Estados Unidos da América, que aceitasse a transição. O que não aconteceu, evidentemente. Trump apelou a um espírito contraditório de contagem de votos em dois estados diferentes. Quão incongruente e mentecapto consegue alguém ser, enquanto líder da nação, que assume grande preponderância nos destinos do Mundo Ocidental?

Para além das suas birras, que se expandiram em denúncias de fraude, com esquemas e protestos de ordem duvidosa, alastraram um fogo nas mentalidades racistas, que parece ter crescido, mesmo após o anúncio da vitória de Biden, produzindo uma realidade paralela, que parece só fazer sentido para ele e para os seus apoiantes.

Por cá, o líder do CHEGA! insurgiu-se, numa das suas inúmeras contradições contra a etnia cigana, que qualificou como “subsídio-dependente”, não estando atento aos dados que apontam que apenas 3.9% destas famílias é que são beneficiárias do RSI. Parece que estes “factos” não são contáveis na cabeça da frente populista no nosso País.

Inclassificável, também, é a sua aliança à social-democracia nos Açores, aliança essa que foi feita com o mesmo partido que veio a público assumir que defende o fim progressivo do Serviço Nacional de Saúde e da privatização total do ensino. Do lado oposto está a social-democracia, que garante saúde e educação a todos os cidadãos. Leva-nos a considerar muitos dos nossos valores e, portanto, a agir em democracia e evitar ao máximo que estas frentes ganhem força.

Mas tenho consciência que a democracia tem mesmo que ser reforçada, sobretudo num mundo, onde as redes sociais assumem, cada vez mais, um papel decisório na formação de mentalidades e quão fácil é publicar informação de ódio e extrapolar todas as informações. Se tivermos consciência crítica e científica devemos e podemos questionar, porque a democracia nos dá esse direito. E esses direitos são cada vez tomados como garantidos, não como uma luta.

Não é sensato darmos a nossa liberdade como um encolher de ombros e num “é tudo igual”, como tem vindo a acontecer. A política é um ato nobre e defender a democracia é algo que nos deve ser intrínseco, porque, enquanto humanos dotados de consciência, temos o poder de questionar. A democracia não é perfeita, nem nós somos, mas nem por isso deixamos de lutar por aquilo em que acreditamos. Não estamos mais em tempos de guerras, já que vivemos numa aldeia global, mas como em todas as aldeias, cada um tem as suas funções para um objetivo comum, e este nosso objetivo comum deve ser a defesa das nossas liberdades.

Rafael Gomes Martins

Militante Juventude Socialista Paços de Ferreira

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