BARRIGAS DE ALUGUER (I)

OPINIÃO

0
20

Abraão, o patriarca das três principais religiões monoteístas, teria vivido entre 1812 aC e 1637 aC. Foi exaltado por Moisés que só aparece na estória bíblica 500 anos depois. Hoje, Abraão é venerado por mais de metade da Humanidade, como pai espiritual da fé (cerca de 2000 milhões de Cristãos, 1300 milhões de Muçulmanos e 15 milhões de Judeus). Oriundo da família de Sem (filho de Noé, e de cujo nome deriva o termo “Semita”), teria nascido em Ur, cidade da Suméria a sul de Bagdad, na Mesopotâmia, local do nascimento da civilização cerca do ano 5000 aC. Consta que Deus lhe falou em sonhos, incentivando-o a partir para Canaã (actual Israel), cujas terras lhe seriam oferecidas para nelas fundar a sua nação, e aí poderem nascer, crescer e trabalhar, os seus descendentes. Canaã é a terra dos Cananeus, cujo termo significa “comerciantes activos”, o que conjuga com as actividades profissionais dos judeus. As estórias que se contam de Abraão não passam de lendas. Uma delas diz que nasceu numa gruta, e um dia depois de nascer já tinha envelhecido um mês, e fez 12 anos quando completou o seu primeiro aniversário! Talvez por isso (diz-se) viveu 175 anos!… Outra lenda diz que Abraão, levado pela fé que tinha na existência de um único deus, terá destruído figuras das divindades e de ídolos com culto no seu tempo. O rei Nimrod ficou furioso e condenou-o à morte na fogueira. No momento em que ateavam fogo à lenha sobre a qual Abraão estava amarrado, formou-se um enorme lago que neutralizou as chamas transformando-as em peixes, e estes libertaram o condenado. Ainda conforme a narrativa bíblica, Abraão estava velho e não tinha filhos. A sua mulher Sara não engravidava, o que impedia o povoamento daquelas terras que Deus programou para serem o país da sua prole. Na sua viagem pelo Egipto, Abraão combinou com sua mulher dizerem-se irmãos, para que não zombassem de um homem velho ter uma mulher nova e, eventualmente, decidirem matá-lo para ficarem com a mulher. Foi assim que o faraó soube que Sara não era sua esposa, e gostando da sua beleza tomou-a para si. Mas Deus, que não dorme, através do sonho (o modo de difundir notícias preferido pela divindade) alertou o faraó para o parentesco de Sara com Abraão. Ao acordar, o faraó reuniu a corte, chamou Abraão, confessou não saber que Sara era casada e, devolvendo-a ao marido, declarou não lhe ter tocado sexualmente, mas expulsou o casal do Egipto. Abraão e Sara regressaram a Canaã, mas na companhia de Agar, uma escrava egípcia que os servia. Confrontada com a impossibilidade de ser mãe, Sara sugeriu a Abraão que fizesse um filho na criada Agar, cumprindo os desígnios de Deus. Assim se fez, e Agar terá sido a primeira barriga de aluguer da história! Mas as coisas não são assim tão fáceis quando o espírito feminino entra em funções específicas de confronto com uma rival, como se verá na próxima edição.

(Continua)

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)

Onofre Varela

Assine Gazeta de Paços de Ferreira

Assinatura anual 20,00.

Com a oferta do acesso à edição electrónica, em reestruturação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here