Instado a escrever algo sobre o Natal, lembrei-me de uma história que li, há muito longe no tempo, sobre este tema. Aqui vos deixo, pois, uma sombra do que me lembro.

É do conhecimento geral a relação que o Pai Natal tem com as renas e o seu trenó voador.

O que pouca gente sabe é como surgiu a figura deste velhinho muito simpático, sorridente, bonacheirão; de barba muito comprida e branca como a neve.

Pois bem, com o meu pedido de desculpa a todas as crianças e adultos que nunca deixaram morrer a criança que há dentro de si, aqui fica a “verdadeira” história do Pai Natal (ponho a palavra “verdadeira” entre aspas porque vou socorrer-me de resquícios que ficaram na minha memória do que li acerca da história do Pai Natal).

Ela tem origem num cogumelo.

Há cogumelos com efeitos alucinógenos (substâncias que provocam alucinações, delírios, visões/ilusórias).

Acontece que um dia, um certo poeta americano de origem holandesa, aí por volta de 1823, de nome Clement Clarke Moore, decidiu escrever um poema sobre este tema.

Até essa altura o Pai Natal não era conhecido por voar, por guiar um grupo de renas através do céu ou mesmo por entrar pelas chaminés.

Mas eis que o poeta Moore decidiu pôr no seu poema “Uma Visita de S. Nicolau”, (em inglês, “The Night Before Christmas”) tudo o que “viu”, nesse efeito alucinatório do cogumelo.

Foi assim, precisamente aqui, que ele foi buscar inspiração para o seu poema.

Já agora, a título de curiosidade, há quem afirme que este poema é indiscutivelmente o mais conhecido escrito por um americano e é amplamente responsável por algumas das concepções do Pai Natal.

Isto teve um efeito enorme na história da oferta de presentes de Natal. Dizem que São Nicolau, entre outras coisas, era muito amigo de dar prendas.

O poeta Moore não desconhecia a predileção que os povos do Nordeste da Sibéria tinham pelas renas, a pontos de prestarem culto ao “grande espírito da rena”.

Estes povos acreditavam, e talvez ainda acreditem, que a única pessoa capaz de comunicar com esse espírito é o Xamã (sacerdote) tribal ou médico-bruxo. Este fá-lo-ia comendo a mosca do cogumelo, o que provoca os tais efeitos semelhantes aos de qualquer “droga dura”. É neste transe de pura extasia, excitação arrebatadora ou alucinação, que o Xamã voa para o mundo dos espíritos, a fim de receber mensagens e “presentes” sob a forma de novas cantigas, danças e histórias para a tribo.

O sacerdote ou médico-bruxo entra no reino dos espíritos através do fumo da chaminé da sua cabana.

Pergunta-se: como é que estas lendas tão antigas de povos tão remotos, como são os siberianos, chegam até nós? Como conseguiram os obscuros rituais de tribos siberianas encontrar o caminho que os levou até ao poeta Moore?

A resposta pode encontrar-se no facto de Clement Clarke Moore para além de grande poeta ser professor de línguas orientais.

Os rituais dos povos siberianos eram conhecidos dos estudiosos ocidentais pelo menos um século antes de Moore escrever o poema, e é possível que ele aproveitasse este conhecimento para dar um sabor mágico adicional à lenda de S. Nicolau, o nosso Pai Natal.

O Pai Natal tem sido, desde há muito, um símbolo do Natal, particularmente na Holanda. Os emigrantes holandeses levaram a tradição para a América no século XVII. Mas foi a partir de 1823 com o poema de Clement Moore, que a lenda se espalhou por todo o mundo.

O Poema acabou por ser musicado e gravado por muitos artistas, um dos quais o próprio Bob Dylan. E a vida de São Nicolau correu mundo pelas salas de cinema.

P.S. – Em tempos de pandemia, o melhor que vos desejo, para este Natal, é que São Nicolau vos faça uma visita e dê, como presente, MUITA SAÚDE.

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