Quando assistia a um debate televisivo com intervenção de Pedro Norton e Pedro Adão e Silva, sobre o Caso Berardo, dei por mim a concluir: estamos perante a falência completa dos mecanismos democráticos de controlo da vida pública.

Em primeiro lugar, por culpa das instituições do Estado, aprisionadas pela lógica do Poder, num conluio de décadas entre PS e PSD, com ou sem CDS.

São extensos e impressivos os exemplos de irregularidades, ilegalidades e crimes, cometidos á sombra de instituições democráticas.

O aparelho de Estado está tão cheio de dedicados servidores, como estará cheio de incompetências e de inconfessados interesses.

O Caso Berardo (tal como o Caso BES) assim o mostra. Os chamados mecanismos ou entidades reguladoras, seja da atividade bancária, ou do funcionamento do Banco de Portugal, ou outras, são unicamente um sorvedouro ao serviço de rapinanço do dinheiro público.

Há uma longa rede inimputável de figuras e figurões que agem como se fossem DDT`s (donos disto tudo). Omnipresentes na política, na justiça, na economia, no fisco, na universidade, no espaço mediático.

No intervalo da sua ação direta, alguns sentam-se na última fila das bancadas parlamentares dos partidos ditos do arco do poder, observando a espuma dos dias do nosso viver colectivo.

Á noite, participam direta ou por interposta pessoa no comentário televisivo. Têm rosto, mesmo que os não quisermos identificar.

Em segundo lugar, a culpa do falhanço dos instrumentos democráticos do controlo está igualmente na sociedade.

Não há qualquer racionalidade atual que justifique a abstenção, o desinteresse, o alheamento de muitos.

Seria do interesse geral e, portanto, do interesse de cada um, o acompanhamento da situação geral, a prudência, o olhar atento, a crítica e mesmo a responsabilização e a exigência de punição a quem atropela os interesses individuais.

Mas não.

Optamos pela conversa “mole”, a “diversão”, a “gritaria” desculpabilizante. E depois lamentamos as consequências.

Cristiano Ribeiro, Dirigente do PCP

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